“Entre-Dança” – Mafalda Fideles

Cada dia 9 é dia de “Entre-Dança” – e a entrevistada de hoje é a carismática e trabalhadora Mafalda Fideles, bailarina no Finnish National Opera and Ballet – e que se encontra actualmente no elenco da produção do Quebra-Nozes, com coreografia de Toer van Schayk. Vamos conhecer o seu caminho?

CIB: Mafalda, qual é a memória mais antiga que tens do ballet, qual te marcou mais?
MAFALDA FIDELES: A primeira recordação que tenho é estar na sala de dança do meu colégio com a minha professora Paula Fidalgo e fazer uma promenade em arabesque com o meu par e a forma como fiquei espantada por conseguir rodar sempre naquela posição com a ajuda dele!

CIB: Antes de saíres de Portugal, onde construíste a tua formação como bailarina? Como foram esses tempos? Acreditas que amigos que dançam juntos permanecem amigos para sempre?
MF: Estive desde os 3 anos até aos 16 anos no Colégio da Rainha Santa Isabel, em Coimbra. Depois estive um ano no Conservatório de Dança em Lisboa e depois saí para a Bélgica. Foram os anos de formação das minhas bases em dança. Os anos em que aprendi muito sobre dança, mas principalmente os anos em que desenvolvi a minha paixão. Os anos em que percebi que era a paixão que nunca me deixaria desistir. E ,sim, tenho ainda muitos “amigos do ballet” com quem mantenho o contacto e com quem partilho algumas situações do meu dia a dia.

CIB: E quando percebeste que o ballet poderia ser mais do que um hobby? Quando percebeste que poderias – ou que querias – ser uma bailarina profissional?
MF: Acho que não foi num momento específico, simplesmente fui desenvolvendo esta paixão e reparei que, em cada dia em que não dançava, sentia que faltava qualquer coisa… E o meu pensamento acabava sempre por derivar para o ballet, fazendo-me perceber que não conseguia viver sem ele.

CIB: O público do CIB sentiu essa paixão crescente em ti enquanto crescias!… Como recordas a tua experiência no CIB?
MF: O CIB foi um concurso que me ajudou a evoluir, que me desafiou, mas que, principalmente, me proporcionou partilhar com o público, várias vezes, esta minha paixão. Ajudou-me a perceber a felicidade com que ficava quando percebia que o público gostava de me ver dançar ou se sentia tocado pela minha prestação.

CIB: Como foi a reacção da família diante da tua escolha, que, inevitavelmente te levou para fora de Coimbra e, depois, para fora do país ?
MF: A minha família foi e é muito importante. Sempre me apoiaram e ainda hoje me dão força para continuar a lutar. Acreditam mais em mim do que eu em mim própria e sei que estão muito orgulhosos.

CIB: Como encaras o trabalho duro que todos reconhemos no ballet como forma de arte? É-te fácil gerir os sacrifícios a fazer?
MF: O que me motiva é a minha paixão e “Quem corre por gosto não cansa.”. Esta não é uma profissão das 10h-17h . Para mim ser bailarina é a minha forma de vida e como tal sei que tudo o que faço é para este sentimento de amor que sinto pela dança. Não posso chamar-lhes sacrifícios. A única coisa que eu desejava era ter a minha família comigo todos os dias. Isto é o mais difícil para mim.

CIB: Como te preparas para cada dia de aulas e trabalho? Tens algum ritual ou rotina a seguir à risca antes de começar o teu dia?
MF: Costumo acordar cedo porque gosto de me preparar com calma. Em casa, gosto de fazer algum tipo de alongamentos antes do pequeno-almoço. Depois vou para a companhia e faço sempre exercícios de pilates ou “placement” que me ajudam a sentir preparada e quente para a aula e, por conseguinte, para o resto do dia.

CIB: Como te sentes antes de entrar em palco? Pilha de nervos ou mar de tranquilidade?
MF: Depende dos papéis que interpretar. Os papéis de solista dão-me mais nervosismo, obviamente, mas não posso dizer que alguma vez consegui chegar a total sentimento de tranquilidade antes de entrar em palco. O nervoso miudinho vai estar sempre lá!

CIB: E… sonhos? Qual a tua Companhia de sonho?
MF: Royal Ballet de Londres.

CIB: Qual o teu dream role?
MF: Kitri de “D.Quixote”.

CIB: Que pas de deux escolherias e que bailarino para te acompanhar?
MF: Adorava ter dançado com Mikhail Baryshnikov, qualquer pas de deux!

CIB: Podemos saber, dos teus planos para a temporada 2017/2018?
MF: Continuar a trabalhar , melhorando a minha técnica e a minha parte artística e tentado cada vez mais encontrar a minha singularidade como bailarina.

CIB: Para ti casa é…
MF: Casa é … o palco (e se a minha família estiver na plateia, melhor ainda).

Agradecemos à Mafalda Fideles o ter partilhado connosco parte do seu percurso que, ninguém duvida, será de sucesso!… Parabéns à Mafalda, à sua professora Paula Fidalgo e aos demais professores que contribuíram para tão consistente percurso no ballet, parabéns à família!… E esperamos ver a Mafalda Fideles no palco – ou seja, em casa.

(fotografias gentilmente cedidas pela Mafalda)